Acertar na dose

Qual é a dose certa de material radioativo para que um tratamento de radioterapia interna seja eficiente? Este novo método oferece uma forma de optimizar a resposta a esta pergunta.

Medicina Nuclear
Radiofarmacologia

A Pergunta

Certos tipos de tumores no fígado podem ser tratados seguindo uma abordagem de radioterapia interna chamada radioembolização. Neste método, microesferas radioativas são administradas através dos vasos sanguíneos que alimentam o tumor e a sua radiação atua na eliminação das células tumorais.

A radioterapia (em todas as suas diferentes formas) é um tratamento eficaz contra o cancro. Mas, tal como acontece com qualquer outro tratamento, acertar na dose correta é fundamental. Se for muito baixa, pode não ser eficaz e, se for muito alta, pode desencadear efeitos colaterais indesejados, como é o caso dos danos em tecidos saudáveis. É por isso extremamente importante otimizar o método que calcula a dose de radiação que será absorvida por cada doente.

Metodologia científica

O cálculo da dose do tratamento de radioembolização é realizado através da administração de um material de teste no doente. Este material de teste é composto por micropartículas revestidas por uma substância radioativa fraca. As micropartículas são absorvidas pelo tumor de uma forma que imita como o medicamento real (microesferas) será absorvido.

De seguida, uma câmara especial sensível à radiação (chamada câmara gama) regista a distribuição das micropartículas no órgão e no tumor. Por fim, esta “fotografia” 2D é analisada com o objetivo de determinar a dose terapêutica apropriada para aquele doente em particular.

A equipa levantou a hipótese de que este protocolo poderá não fornecer a melhor previsão para cada doente e por isso colocaram a seguinte pergunta: seremos capazes de melhorar a precisão da dosagem registando a distribuição do material de teste em imagens 3D?

A resposta é sim. A equipa desenvolveu um novo protocolo que cruza imagens 3D SPECT (cintigrafia) com um método de análise computacional. Após cada tratamento de radioembolização, os investigadores adquirem imagens de PET/CT (tomografia) que são depois usadas para comparar a dose que é absorvida na realidade com aquelas que são estimadas pelos dois protocolos diferentes (o das imagens 2D e o das imagens 3D).

Neste momento

A equipa está atualmente a recolher dados adicionais de doentes, com o objetivo de a longo prazo otimizar o método e poder partilhar as suas descobertas com outros centros clínicos espalhados um pouco por todo o mundo.

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